PROJETO MANUELZÃO

                                                 tupinamba

O Projeto Manuelzão foi criado em janeiro de 1997 por iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG. O surgimento do Manuelzão está ligado às atividades do Internato em Saúde Coletiva (“Internato Rural”), disciplina obrigatória da grade curricular do curso de Medicina em que os estudantes passam três meses em municípios do interior de Minas Gerais desenvolvendo atividades de medicina preventiva e social. O histórico das experiências desses professores e estudantes revelou que não bastava, período a período, medicar a população. Mais que isso, era preciso combater as causas das doenças. A partir da percepção de que a saúde não deve ser apenas uma questão médica, foi esboçado o horizonte de trabalho do Projeto Manuelzão: lutar por melhorias nas condições ambientais para promover qualidade de vida, rompendo com a prática predominantemente assistencialista.

A bacia hidrográfica do rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação. Essa foi uma forma de superar a percepção municipalista das questões ambientais. A bacia permite uma análise sistêmica e integrada dos problemas e das necessidades de intervenções. Para que essa metodologia de trabalho fosse desenvolvida, foi necessário construir parcerias com os municípios compreendidos na bacia e com o governo do estado, dentre outros. A parceria com a sociedade cresceu consideravelmente ao longo da existência do Projeto Manuelzão, sobretudo no âmbito dos Núcleos Manuelzão (anteriormente chamados Comitês Manuelzão) espalhados pela bacia. Esses Núcleos contam com a participação da sociedade civil e, também, de representantes do poder público e de usuários de água. Seu objetivo é discutir e promover atividades relacionadas a questões ambientais locais, podendo contar com a parceria e orientação do Projeto Manuelzão.

O Projeto também desenvolveu e vem desenvolvendo importantes atividades de pesquisa. Professores, estagiários e colaboradores trabalham juntos no Núcleo Transdisciplinar e Transinstitucional pela Revitalização da Bacia do Rio das Velhas – NuVelhas, agregando atividades de pesquisa de diversas áreas como o biomonitoramento, o geoprocessamento e a recuperação de matas ciliares. O Projeto também tem, em sua história, uma forte parceria com o curso de Comunicação Social da UFMG, o que resultou na publicação da Revista Manuelzão (antigo Jornal Manuelzão).

O coroamento do trabalho do Projeto aconteceu em 2003, com a Expedição Manuelzão desce o Rio das Velhas. Foram percorridos os 804 Km do Velhas, da nascente em Ouro Preto à foz, em Barra do Guaicuí, em 29 dias. Em cada parada, a Expedição foi recebida pelas comunidades locais, escolas e membros dos Núcleos Manuelzão. A descida do rio resultou na publicação do livro “Navegando o Rio das Velhas das Minas aos Gerais”, que apresenta, no primeiro volume, o diário de bordo da expedição, e, no segundo volume, uma enciclopédia sobre a bacia hidrográfica. Da expedição realizada em 2003, o Projeto Manuelzão também desenvolveu a proposta de revitalizar o rio das Velhas até o ano de 2010. A proposta, denominada Meta 2010: navegar, pescar e nadar no rio das Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte é, hoje, projeto estruturador do Governo do Estado de Minas Gerais.

Em 2005, o Projeto Manuelzão inaugurou uma nova agenda: a cultural. Em novembro daquele ano foi realizado, em Morro da Garça, o Festivelhas Manuelzão: arte e transformação, que contou com a participação de artistas vindos de várias regiões da bacia hidrográfica. O sucesso do Festivelhas repetiu-se em setembro de 2007, com a realização do Festivelhas Jequitibá: arte e cultura na capital mineira do folclore. Em 2009, o Festivelhas assumiu proporções maiores, tendo sido realizado em maio e junho em Ouro Preto, Santa Luzia, Curvelo, Barra do Guaicuí e Belo Horizonte como parte da programação da Expedição pelo Velhas 2009: encontros de um povo com sua bacia.

As reflexões e atividades do Projeto Manuelzão encontram-se registradas em publicações como os Cadernos Manuelzão e o livro Projeto Manuelzão: a história da mobilização que começou em torno de um rio.

tupiniquim

A BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DAS VELHAS

Toda a Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas está localizada dentro do estado de Minas Gerais, em sua região central, ocupando um área de drenagem de 29.173km2 (FEAM, 1998).

A bacia hidrográfica do rio das Velhas está localizada na região central do estado de Minas Gerais, entre as coordenadas 17o 15’e 20o 25’ S – 43o 25’ e 44o 50’ W, apresentando uma forma alongada na direção norte-sul.

Com 801 km, o Rio das Velhas é o maior afluente em extensão da Bacia do São Francisco. Nasce no município de Ouro Preto, dentro do recém criado Parque Municipal das Andorinhas, e deságua no Velho Chico no distrito de Barra do Guaicuy, município de Várzea da Palma, a jusante da barragem de Três Marias.

A população da Bacia do Velhas, estimada em 4.406.190 milhões de habitantes (IBGE, 2000), está distribuída nos 51 municípios cortados pelo rio e seus afluentes.

A região metropolitana de Belo Horizonte ocupa apenas 10% da área territorial da bacia, mas possui mais de 70% de toda a sua população. Concentra atividades industriais e tem processo de urbanização avançado, sendo por isso a área que mais contribui com a degradação das águas do Rio das Velhas.

A bacia do Rio das Velhas é subdividida em Alto, Médio e Baixo Rio das Velhas. Veja imagem ao lado e a descrição a seguir (COSTA, 2008)

A) Alto rio das Velhas: compreende toda a região denominada Quadrilátero Ferrífero, tendo o Município de Ouro Preto como o limite ao sul e os municípios de Belo Horizonte, Contagem e Sabará como limite ao norte. Uma porção do município de Caeté faz parte do alto rio das Velhas, tendo a Serra da Piedade como limite leste.

b) Médio rio das Velhas: ao norte traça-se a linha de limite desse trecho da bacia coincidindo com o rio Paraúna, o principal afluente do rio das Velhas. No lado esquerdo, atravessa o município de Curvelo e, em outro trecho, coincide com os limites do município de Corinto.

c) Baixo rio das Velhas: compreende, ao sul, a linha divisória entre os municípios de Curvelo, Corinto, Monjolos, Gouveia e Presidente Kubitscheck e, ao norte, os municípios de Buenópolis, Joaquim Felício, Várzea da Palma e Pirapora

Os Municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas são:

– Araçaí
– Augusto de Lima
– Baldim
– Belo Horizonte
– Buenópolis
– Caeté
– Capim Branco
– Conceição do Mato Dentro
– Confins
– Congonhas do Norte
– Contagem
– Cordisburgo
– Corinto
– Curvelo
– Datas
– Diamantina
– Esmeraldas
– Funilândia
– Gouveia
– Inimutaba
– Itabirito
– Jaboticatubas
– Jequitibá
– Joaquim Felício
– Lagoa Santa
– Lassance
– Matozinhos
– Monjolos
– Morro da Garça
– Nova Lima
– Nova União
– Ouro Preto
– Paraopeba
– Pedro Leopoldo
– Pirapora
– Presidente Juscelino
– Presidente Kubitschek
– Prudente de Morais
– Raposos
– Ribeirão das Neves
– Rio Acima
– Sabará
– Santa Luzia
– Santana de Pirapama
– Santana do Riacho
– Santo Hipólito
– São José da Lapa
– Sete Lagoas
– Taquaraçu de Minas
– Várzea da Palma
– Vespasiano

Qualidade das águas na bacia do rio das Velhas

Os corpos d’água na bacia do rio das Velhas são enquadrados, conforme a Deliberação Normativa do COPAM 020/97, nas seguintes classes de acordo com o uso:
– Águas de Classe Especial:
• Abastecimento doméstico, sem prévia ou simples desinfecção;
• Preservação do equilíbrio das comunidades aquáticas.
– Águas de Classe 1:
• Abastecimento doméstico, após tratamento simplificado;
• Proteção das Comunidades aquáticas;
• Recreação de contato primário (natação, esqui-aquático e mergulho);
• Irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvem rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película;
•Criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana.
– Águas de Classe 2:
• Abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
• Proteção das Comunidades aquáticas;
• Recreação de contato primário (natação, esqui-aquático e mergulho);
• Irrigação de hortaliças e plantas frutíferas;
•Criação natural e/ou intensiva de espécies destinadas à alimentação humana.
– Águas de Classe 3:
• Abastecimento doméstico, após tratamento convencional;
• Irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras;
• Dessedentação de animais
– Trechos Canalizados
• Navegação;
• Harmonia paisagística;
• Usos menos exigente.

Fonte: Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas – CBH Rio das Velhas

Disponível em : http://www.cbhvelhas.org.br/index.php/more-about-joomla/a-bacia

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