Canalização de cursos d’água

Ribeirão Arrudas em canal aberto, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte (Foto: acervo do Projeto Manuelzão)
Ribeirão Arrudas em canal aberto, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte (Foto: acervo do Projeto Manuelzão)
Nos últimos dois séculos, muitos dos cursos d’água que cortam grandes centros urbanos tiveram seus leitos transformados em grandes canais revestidos por materiais resistentes, como pedra e concreto. A canalização foi feita em nome da adequação dos cursos d’água ao crescimento dos municípios. Ao canalizá-los, era possível aumentar as vias de transporte e os loteamentos, além de se eliminar, supostamente, o problema das enchentes, do esgoto e do excesso de lixo.

Essa medida, entretanto, ignora as características naturais dos cursos d’água e, principalmente, o fato de eles serem fundamentais à regulação climática, à biodiversidade, à vida. A canalização é, na verdade, uma máscara para os problemas urbanos. Afinal, é o esgoto que deve ser canalizado, e não os córregos e rios.

Sem obstáculos naturais, as águas dos cursos d’água correm mais rápido, em retos canais. Evitam-se inundações em um trecho, mas elas passam a ser mais destruidoras em trechos mais à frente, uma vez que a água chega com uma velocidade bem maior. Além disso, a aceleração das águas contribui para a eliminação das comunidades aquáticas. Morrem peixes, pássaros e vegetação dos cursos d’água e de suas margens.

O ciclo hidrológico é também prejudicado pela canalização. Com o leito de rios e córregos revestido por materiais impermeáveis, a água não infiltra no solo e, consequentemente, não chega aos lençóis freáticos. A infiltração é importante para regularizar a quantidade de água dos rios e córregos e proporcionar seu escoamento subterrâneo até os mares e oceanos. Sem infiltrar, mais água é retida na superfície, provocando inundações nas áreas mais baixas.

Cobertos por grandes avenidas, muitos cursos d’água são lembrados somente ao transbordarem, quando o volume de água e lixo ultrapassa a capacidade de suas galerias. Limpar e manter esses canais são procedimentos difíceis e perigosos, principalmente nos fechados, pois o acesso é complicado.

A mais grave consequência da canalização é o fato de ela comprometer a relação entre homem e natureza. As áreas verdes das margens são substituídas por concreto e asfalto; nadar, pescar e navegar passam a ser atividades quase impraticáveis.

Em Minas Gerais, foi aprovada a Deliberação Normativa COPAM nº 95/2006, que restringe as possibilidades de canalização de cursos d’água. O Projeto Manuelzão tem lutado para que essa norma seja respeitada e realmente cumprida.

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