Serra do Gandarela: caixa d’água da região metropolitana

Em decisão histórica, a cidade de Rio Acima tombou a Serra do Gandarela como Patrimônio Histórico, Arqueológico, Paisagístico e Cultural, garantindo 40% da água que é consumida na RMBH.

Assessoria Projeto Manuelzão

“Gandarela continue serena, você e seu filho Ribeirão da Prata estão sendo salvos”


Descerramento da placa
Cerca de 40% da água consumida em Belo Horizonte vem da Serra do Gandarela. A constatação reforça a preservação do local e traz um alerta importante para que a serra seja protegida para que a capital mineira não passe por problemas como os que acontecem em São Paulo.

Vencendo desafios e com o apoio da população, o prefeito de rio Acima, Antônio Pires de Miranda Júnior, no dia 26 de abril, entre paredões e montanhas da Mata Atlântica oficializou o tombamento municipal da parte da Serra do Gandarela inserida no município. Com o ato, o prefeito pretende conquistar aliados para a proteção do Gandarela e acelerar o processo de criação do Parque Nacional na região, barrando o assédio de mineradoras pela área. A medida vem de encontro aos apelos da sociedade local e mineira que vê na serra, um santuário ambiental que deve ser preservado para esta e futuras gerações. A Serra abraça oito cidades: Rio Acima, Raposos, Caeté, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Ouro Preto, Itabirito e Nova Lima.

A medida impactará as pretensões da Vale de implantar na área da serra o projeto Apolo, que prevê aporte de R$ 4 bilhões para uma mina com potencial para 24 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano.

O projeto Apolo, antiga mina Maquiné-Baú, é estudado pela Vale pelo menos desde 2007, quando começou a ser citado nos balanços da companhia, ainda sem aprovação do Conselho de Administração. Em 2011, pela primeira vez um balanço trouxe a previsão de início dos investimentos, com R$ 377 milhões destinados ao plano. O projeto abrange Rio Acima, Santa Bárbara, Caeté, Raposos e Nova Lima. A Vale informou, por meio de nota, à imprensa que está avaliando os impactos da decisão municipal.


Coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Polignano e autoridades durante descerramento.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apresentou o plano de criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela, que, além dos cinco municípios que receberiam o projeto Apolo, ainda engloba Barão de Cocais, Itabirito e Ouro Preto. As partes negociaram visando conciliar os interesses e viabilizar os dois empreendimentos, porém não houve acordo. Enquanto o licenciamento ambiental da mina está paralisado, a criação do Parque é analisada no Ministério de Meio Ambiente.

“Rio Acima saiu na frente e deu exemplo para os outros municípios”, revelam ambientalistas do Movimento pela Serra do Gandarela. Para eles, um passo fundamental para a proteção do local e um momento único na história de Minas e do Brasil. “Com o tombamento poderemos agilizar a provação do parque”, comemoraram ao revelar que foram muitas as lutas e audiências em prol do Gandarela.

Para o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, é preciso que todos tenham serenidade. “A visão da serra nos dá serenidade. Gostaríamos que o meio ambiente falasse mais alto para que a sociedade pudesse ser sustentável, criando territórios sustentáveis como esse em que estamos”, disse ao ressaltar que a atitude de Rio Acima deve ser exemplo. “Precisamos de políticos que não pensem apenas em mandatos, mas em iniciativas de futuro e decisões mais favoráveis à sociedade”.

O prefeito de Rio Acima convocou os administradores municipais das cidades onde se pretende criar o Parque Nacional da Serra do Gandarela a tomarem a mesma medida. “Nossa atitude hoje será sentido pelas futuras gerações. Foram muitos os emails me parabenizando pelo ato, mas também muitos questionando nossa posição. Meu compromisso é com a sociedade. A serra deve ser preservada pelos valores que aqui já existem.”  
 

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