Falta de saneamento polui rios e adoece população brasileira

Embora seja um dos mais graves problemas do país, saneamento básico segue quase invisível na política nacional. Essa situação polui os rios e não garante saúde coletiva e qualidade ambiental.

Assessoria de comunicação

Um dos itens fundamentais para garantir a saúde coletiva e a qualidade ambiental é a coleta e o tratamento de esgoto. No Brasil, porém, mais de 100 milhões de pessoas não dispõem desse serviço, de acordo com dados do IBGE.

O esgoto é o termo usado para águas residuais após o uso humano. Pode ter origem doméstica, industrial ou comercial. Sem receber o tratamento adequado, causa danos à saúde possibilitando a transmissão de doenças e a poluição dos recursos hídricos.

No Brasil, neste campo, as intervenções do governo se mostram ainda tímidas, é o que revela a pesquisa, Síntese de Indicadores Sociais, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.

O que garante saúde coletiva e qualidade ambiental é a coleta e o tratamento de esgoto.De acordo com o levantamento considerando a somatória de água encanada, rede de esgoto e coleta de lixo, o Brasil em porcentagem de domicílios urbanos atendidos pelo saneamento básico era de 61,7% em 2001 e passou a 69,4% em 2011. Um crescimento irrisório. Para piorar, 40% da população ainda não tem acesso a rede coletora de esgotos e do que é coletado nem tudo é tratado, o que significa dizer que grande parte é despejado “in natura” nos cursos d’água.

Uma realidade cruel que revela descaso do poder público com um dos mais graves problemas do país. A conclusão vem de órgãos que acompanham os levantamentos ligados ao saneamento e revela o impressionante registro de que há no Brasil ainda cerca de 8 milhões de pessoas sem acesso a um mero banheiro. Ainda segundo especialistas, com a definição e andamento de propostas e projetos para sanar o problema, eles calculam que para ser motivo de orgulho e se chegar próximo da meta do milênio para a área da saúde, o país levará anos possa cumprir esse requisito tão básico da civilização.

Como explicam, para chegar à meta, será preciso investir um total R$508 bilhões nos próximos 20 anos (298 bilhões de recursos federais e R$210 bilhões de outras fontes – privadas, estaduais e municipais). Algo em torno de 25 bilhões por ano. A má notícia é que em 2011, o investimento no setor se limitou a R$8,4 bilhões e neste ritmo não deve chegar à realidade dos bilhões que serão precisos para realizar o verdadeiro desenvolvimento do país a fim de dotar toda a população de serviços sanitários eficientes.

Outro dado que revela a pesquisa é sobre a questão da água encanada que chega a 82,4% dos brasileiros – ainda longe da universalização atingida pela eletricidade que é de 99%. Como alerta, especialistas ressaltam que, sem água potável de confiança e sem destinação segura dos dejetos, a população fica sujeita a doenças, como a diarréia, pois sem saneamento básico, não há moradia digna.

Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde afirma que é preciso investir na prevenção e que R$4 são economizados em serviços de saúde para cada R$1 investido em saneamento básico, que o aproveitamento escolar de crianças onde há saneamento adequado aumenta 30% e a produtividade do trabalhador melhora em 13%.

Para autoridades no assunto, é preciso urgentemente buscar fontes alternativas ao financiamento e a iniciativa privada seria uma opção. O mais sensato, segundo eles, seria resolver os problemas evidentes no sistema sanitário: as perdas de água tratada e a tributação irracional dos serviços, pois a cada 100 litros de água tratada, quase 40 são desperdiçados e não tributados, o que economizado, acarretaria mais investimentos no setor.

Cabe agora a sociedade trazer essa problemática à tona e não deixar que as tubulações de água e esgoto fiquem ocultas debaixo da terra, mas que cheguem à superfície, e revelem a verdade invisível que além de um problema social, a falta de saneamento básico é também de saúde pública.

Para o coordenador do Projeto Manuelzão, da Faculdade de Medicina da UFMG, Marcus Vinícius Polignano, o problema vai além e deveria ser uma prioridade de política pública para o Estado brasileiro. “Isto sim representa Mais Saúde para o povo e para os rios do Brasil”, disse.

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