Escassez de água: sinal dos tempos?

Para coordenadores do Projeto Manuelzão, é fundamental manter a permeabilidade do solo e áreas de recarga para que haja armazenamento de água de forma permanente e contínua, nesse contexto, situação do rio das Velhas preocupa.

Assessoria de comunicação

A escassez da água é um fenômeno crescente no mundo e se faz necessária a urgente adoção de medidas de gestão para a recuperação dos ecossistemas naturais e o desenvolvimento de novos programas e políticas para a administração e distribuição igualitária e sustentável do recurso. Isto não depende unicamente de governos ou organizações supranacionais e sim também de cada um de nós, que movidos pela consciência ambiental e humana adotamos novos hábitos de uso responsável destes escassos recursos, assim como participando da toma de decisões e contribuindo com nosso tempo e esforço a implantação de programas e medidas orientados neste sentido.

A adoção do rodízio no abastecimento de água em várias cidades de mineiras como Juiz de Fora, Pará de Minas e algumas da região metropolitana nos obrigam a refletir sobre como temos tratado a questão dos recursos hídricos. “A água é um recurso insubstituível e indispensável aos seres vivos e ao desenvolvimento da economia. No entanto, sua distribuição no tempo e no espaço é irregular”, comentam especialistas do Projeto Manuelzão.

Segundo eles, existem regiões no Brasil com grandes mananciais e elevado índice pluviométrico e regiões naturalmente marcadas por déficit hídrico, onde a população convive com a escassez de água praticamente o ano inteiro, como acontece no sertão nordestino. A região Sudeste possui mananciais importantes, nos quais o clima tropical, no verão, garante a recarga.

Entretanto, como alertam, presenciamos nesse início de 2014 um período de estiagem prolongada, conjugado com temperaturas elevadas. Trata-se de uma condição meteorológica atípica que provoca o rebaixamento dos níveis dos reservatórios, comprometendo o abastecimento urbano. Em Minas e outros estados companhias energéticas estão optando por anunciar um desconto de 30% na conta de quem reduzir o consumo em cerca de 20%. É uma estratégia que procura recompensar o consumidor que economiza água. No entanto, não é definitiva e especialistas revelam que elas podem não surtir efeito imediato, conforme demanda a situação.

“Rodízios, descontos, racionamentos e caminhões-pipa são medidas emergenciais extremas que, na verdade, demonstram nossa dificuldade de atuar em eventos dessa natureza, cada vez mais frequentes nos últimos anos e desafiadores tanto no campo da previsão/prevenção quanto da gestão”, afirmam.


População sofre com a falta d’águaPara o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinicius Polignano, é preciso observar aspectos da escassez e chamar a atenção de que primeiro as chuvas são fundamentais para a vida e abastecimento de mananciais, mas também para o fato de que temos que ter água o ano todo, e para isso é fundamental a gestão das bacias. “É fundamental manter a permeabilidade do solo, as nascentes, os córregos, as matas ciliares e as áreas de recarga para que haja um armazenamento de água de forma permanente e contínua para que os rios tenham a vazão necessária para o abastecimento humano e a manutenção da biota aquática”, destaca ao revelar que a situação do rio das Velhas é preocupante. “O rio das Velhas é um forte, pois com toda esta escassez ainda consegue manter o abastecimento da capital com uma vazão de nove metros cúbicos por segundo”.

Como explicam ambientalistas, a culpa não deve ser dada apenas ao clima, pois essa versão que tentam rotular seria muito simplório e cômoda. Para eles, será necessário priorizar o uso sustentável da água nos setores econômicos (agropecuária e indústria) e combater o desperdício no consumo doméstico. Mas o momento também é propício para repensar o que pretendemos com nossos mananciais. Isso vale para muitas represas que, atualmente, encontram-se pressionadas pelos impactos adversos do crescimento urbano insustentável.  “Essa crise nos obriga a olhar a questão com maior profundidade. E dentre as preocupações que envolvem o tema “água”, uma é imprescindível: a garantia de acesso” ressaltam ao declarar que de acordo com a ONU, o acesso à água potável (limpa e segura) e ao saneamento básico é um direito humano essencial.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s