ESPAÇO TEMÁTICO

A água como matriz pedagógica na sua escola

Dando continuidade a série de textos que irão compor o ESPAÇO TEMÁTICO , após o texto 1, vamos começar a trabalhar a água como matriz pedagógica na sua escola

A proposta para se trabalhar a água como eixo de um projeto multidisciplinar é porque ela traz em si a composição de um verdadeiro ecossistema humano. Por isso mesmo permite a essência da vida interativa, não só na sala de aula e na escola, mas no bairro, na mata, no rio e entre amigos.

E qual é a sua origem, a sua importância? De onde ela vem e por onde corre levando possibilidade de vida e ao mesmo tempo conflitos e guerras?

As bacias hidrográficas constituem o berço desse elemento essencial. Mas não apenas da água. O conceito sistêmico considera a bacia hidrográfica como uma unidade composta por água, solo, flora, fauna, formando uma totalidade de elementos naturais e sociais, correlacionados de forma dinâmica. A bacia hidrográfica é o cenário para as crises atuais e potenciais relacionadas com a água e sua situação de escassez em quantidade e qualidade.

Para trabalhar esse tema sugerimos como referência metodológica a Pesquisa-ação que compreende o contexto de observação e pesquisa como espaço de formação e intervenção. É uma metodologia que se apóia nas noções de participação, transformação e autonomia para resolução de problemas identificados e vivenciados pelos alunos.

Essa metodologia caracteriza uma abordagem transversal, uma vez que se busca a construção de um saber ambiental indissociável das práticas comunitárias cotidianas. As questões cotidianas, levadas à sala de aula, ajudam os estudantes a compreender o meio em que vivem gerando o sentimento de pertencimento capaz de estimular os alunos a transformar a realidade vivenciada por eles.

Assim, a articulação entre os conceitos chaves: empoderamento (abordagem de trabalho baseado em decisão, autonomia e participação), investigação-ação e pedagogia problematizadora fortalecem a organização da comunidade.

 Estudar o bairro é o início para se entender o conceito de bacia hidrográfica e o sentimento de pertencimento.

 O conceito de bacia hidrográfica, criado pelas Ciências Naturais, tornou-se um suporte para um novo paradigma da Ciência, a complexidade, pois é possível relacionar toda a variedade de formas vivas e as diversidades ambientais a partir do afloramento da água subterrânea e a formação de cursos dágua. A ciência atual fornece ao indivíduo mais que ferramentas quando abordavam apenas o que é constante, regular e homogêneo. Hoje a Educação deve contemplar idéias de autonomia, diversidade, sistema, evolução e regulação, não como especificidades disciplinares, mas como eixos norteadores para novos caminhos.

Uma bacia hidrográfica é uma área delimitada pelos pontos mais altos do relevo de onde escorrem as águas das nascentes, formando, nas partes mais baixas, rios e lagos. As bacias recebem, além das águas subterrâneas, as águas das chuvas e libera água pela evaporação formando todo o ciclo hidrológico essencial para a vida.

 Ao se legitimar a bacia hidrográfica como unidade de território para a gestão das águas respeita-se a divisão espacial que a própria natureza fez.

 Todos os elementos da bacia hidrográfica – vegetação, solo, pedras, fauna, cursos dágua, seres humanos e suas intervenções ambientais – são autônomos em suas atividades físicas e vitais, mas influenciam, determinam e regulam cada um a sua maneira e necessidade, o funcionamento do sistema hidrográfico.

 Sob esse aspecto o ensino aprendizagem se interliga a uma organização viva permitindo uma abordagem educativa a partir de temas que permeiam o cotidiano do aluno e da comunidade e assim planejar aulas significativas. Um bom planejamento tem de se basear nas habilidades que os estudantes devem desenvolver a partir da grade curricular formal, criando principalmente situações que os levam à observação, à pesquisa e à tomada de decisões.

 Através de uma pergunta para a turma do tipo: “vocês acham que vivem num ambiente equilibrado”, abre-se um campo de possibilidades em busca do conhecimento contextualizado.

 Nessa questão estão incluídos temas como consumo, energia, água, poluição, tratamento de esgoto, dentre outras. Ao dialogar com os estudantes é possível detectar a percepção e o olhar de cada um sobre o seu ambiente imediato. Para entender melhor os problemas, típicos de cada comunidade, é necessário se fazer um diagnóstico do entorno. Esse diagnóstico pode ser trabalhado, em conjunto, pelos professores de história, geografia, ciências, literatura, etc.

 O ideal é articular os conteúdos em blocos para que as aulas não se tornem pedacinhos espalhados, mas um todo num contexto, de forma que os instiguem a querer saber mais.

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