A arte como forma de aguçar a percepção

As artes como uma forma de aguçar a percepção da necessidade de transformações. É a partir dessa idéia que o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinicius Polignano, discute a construção do mundo a partir das percepções culturais, o consumo excessivo, o predomínio econômico sobre a vida terrestre, entre outras questões. O Projeto busca consolidar novos paradigmas e uma visão transdisciplinar sistêmica da relação homem-natureza, na direção de uma economia solidária e sustentável. E também luta pela transformação da cultura, da saúde pública e da gestão ambiental. O artigo abaixo aborda questões que foram discutidas no FestiVelhas 2011 – Arte e Transformação.

 

Ambiente e cultura – a travessia necessária

Marcus Vinicius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão.

Na linha de pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, as artes aguçam a nossa sensibilidade para perceber a necessidade de transformações, de transcendência da nossa condição animal básica para uma consciência mais desenvolvida na esfera cultural. Somos o que pensamos. Construímos o mundo a partir da idealização que fazemos dele.

A cultura está em nosso olhar, nossa percepção, nossos valores e atitudes. Assim passamos a aceitar a contaminação do ar e das águas, a agonia dos rios, a morte dos peixes, a esconder os rios mortos, a perder cenários e referências naturais da nossa própria história.

A cultura antropocêntrica preconiza o progresso econômico acima de tudo e de todos, ignorando o fato de que a maior riqueza que temos é a existência da própria vida no planeta Terra. Somos induzidos a acreditar que a felicidade se realiza no consumo, e consumimos mais do que podemos pagar, ou do que o planeta pode aguentar. Como não conseguimos nos adaptar às contradições entre “ter e ser”, nos deprimimos. Para remediar, nos medicamos, constituindo gerações sucessivas que poderiam ser identificadas pelo nome de sedativos e antidepressivos.

O Projeto Manuelzão surgiu da consciência sobre a necessidade de mudança da mentalidade civilizatória em escala global. O nosso objetivo maior foi concebido partindo da estratégia mobilizadora focada na “volta do peixe” à Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.

A “volta do peixe” é representativa do pensamento complexo. É a procura de um eixo favorável para romper com a predominância ou até exclusividade das ações políticas em torno de interesses sempre antropocêntricos e econômicos.

O peixe simbolicamente representa a redenção da nossa comunhão com o planeta Terra, do qual fazemos parte. Os rios com peixes podem sinalizar uma mudança de perspectiva de futuro e de vida.

Queremos resgatar valores e consolidar novos paradigmas que construam uma travessia. Temos que ter uma visão transdisciplinar e de futuro em que prevaleça um olhar amplo e sistêmico da relação homem-natureza, para além de uma economia imediatista e soberba, na direção de uma economia solidária e sustentável.

Que a gestão das águas diga da gestão da vida e que, portanto, nenhum rio seja transformado em esgoto. Todos os rios de Minas, do Brasil e do mundo devem possibilitar navegar, pescar e nadar.

O Projeto Manuelzão UFMG não luta apenas pela volta do peixe ao Rio das Velhas: o que desejamos, no fundo, é contribuir para mudar o mundo, transformando a cultura, a política, a saúde coletiva e a gestão ambiental.

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